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03 dezembro 2017

Escravatura choca Cimeira

Fonte: Jornal de Angola / Revisão: Vernon De Castro

Os líderes africanos e europeus decidiram estabelecer  um “forte compromisso” para reforçar os mecanismos de combate ao drama da imigração clandestina e de mercados de escravos na Líbia.

Presidente João Lourenço com o homólogo de França, Emmanuel Macron, num encontro à margem da Cimeira UA-UE em Abidjan:

O compromisso foi assumido no final da quinta cimeira UA-UE, que reuniu durante dois dias os mais altos dirigentes de ambos blocos. A escravização de africanos num país membro da União Africana acabou por ser um dos assuntos de maior destaque da Cimeira, depois do escândalo decorrente da divulgação da reportagem da CNN que trouxe o assunto para a agenda política internacional.

“Uma acção humanitária deve ser aplicada o mais rapidamente possível na Líbia” e “as redes de passadores devem ser desmanteladas”, declarou o Presidente ivoiriense, Alassane Ouattara, na sessão de encerramento da cimeira. O estadista anfitrião clamou a necessidade de se abrir “um inquérito internacional” para se apurar todos os detalhes do caso que está a chocar o mundo. Por seu turno, Alpha Condé, Chefe de Estado da Guiné Conacry e presidente em exercício da União Africana, sugeriu que a almejada comissão de inquérito seja dirigida pela Comissão dos Direitos Humanos da UA. 
Alpha Condé solicitou a colocação de “forças especiais” no terreno para conter o “tráfico de seres humanos”. Sobre a matéria, o presidente da Comissão da UA, Moussa Faki, defendeu que os cerca de 3.800 migrantes ainda presentes na Líbia sejam repatriados com a maior brevidade possível. Anteontem, o Presidente francês, Emamanuel Macron, pediu a retirada com carácter de urgência dos africanos interessados em sair da Líbia. Anunciou para o efeito a constituição de uma “task force operacional”, bem como o lançamento de uma campanha para dissuadir os jovens a abandonar aquele país do norte de África.

Em Ouagadougou, de onde partiu quarta-feira para Abidjan, o Presidente francês manifestou a intenção de propor uma iniciativa euro-africana com vista a desmantelar organizações criminosas e as “redes de passadores” de clandestinos que cruzam o continente. Emmanuel Macron foi considerado uma das grandes sensações da cimeira. A passagem da sua comitiva pelas ruas de Abidjan foi aplaudida em vários troços, principalmente por jovens transeuntes que pararam para o saudar. A promessa de buscar apoios para o repatriamento de todas as pessoas em perigo na Líbia, sujeitas ao que considerou “crime contra a humanidade”,  não deixou as pessoas indiferentes. O polémico assunto foi comentado em praticamente todos encontros formais e informais realizados em Abidjan. 

Quem também se mostrou desencantado foi o Presidente do Ghana, Nana Akufo-Addo, que denunciou a falta de solidariedade no seio de União Africana (UA) e em particular da Líbia, em relação ao episódio de cidadãos africanos escravizados num país igualmente africano e membro da UA. Akufo-Addo deplorou de forma firme os graves atentados aos direitos humanos cometidos na Líbia através de uma publicação no Twitter. Por seu turno, mediante comunicado publicado esta quarta-feira, o Presidente nigeriano, MuhammaduBuhari, afirmou estar bastante consternado por ver os seus compatriotas a serem vendidos “como cabras” num leilão.

Prometeu repatriar todos os nigerianos retidos na Líbia, anunciando o compromisso de reforçar políticas públicas no sentido de desencorajar os migrantes clandestinos que desafiam todo o rol de perigos para alcançar a Europa. 

A segurança e recrudescimento de ameaças terroristas mereceram igualmente particular atenção dos Chefes de Estado e de Governo dos dois blocos. É crescente a acção de grupos jihadistas na África Ocidental, além da Al-Shabab, que tem protagonizado carnificinas na parte oriental  do continente, particularmente na Somália. No Mali, Níger, Mauritânia, Burkina Faso e Chade, países  que integram o chamado grupo G5 do Sahel, a União Europeia tem apoiado acções contra o terrorismo, mas a falta de financiamento condiciona a implementação de estratégias. 
Diversos observadores e estudiosos de fenómenos associados ao terrorismo indicam que, com o desmantelamento das bases do Estado Islâmico na Síria, muitos militantes radicais se têm refugiado em África, partindo daqui para a Europa, às vezes sob cobertura de migrantes clandestinos. Há enorme expectativa em torno da possibilidade de os líderes reunidos em Abidjan solicitarem o reforço de cooperação militar e ajuda financeira.

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